Quando o Banco Central divulga o ranking dos piores bancos do Brasil, muita gente se surpreende — às vezes o banco que você usa todos os dias está ali. Pois não se trata de reclamações de redes sociais ou do Reclame Aqui. Trata-se de problemas reais, investigados e confirmados oficialmente pelo próprio Banco Central.
Neste artigo, nós vamos conversar de forma bem simples sobre:
- Como funciona o ranking dos piores bancos
- O que é o Índice de Basileia e por que ele é tão importante
- Por que você precisa olhar o emissor do CDB, e não apenas o banco onde compra
- O ranking dos 5 piores bancos e instituições financeiras do terceiro trimestre de 2025
- Os detalhes das falhas mais graves encontradas
- Um caso real de problema sério envolvendo débito não autorizado no Banco Inter
E claro: tudo isso explicado como se estivéssemos batendo um papo entre amigos.
Como o Banco Central avalia os bancos?
O Banco Central analisa problemas reais, situações em que o cliente reclamou diretamente à instituição, e após uma investigação, o BC concluiu que o cliente estava certo e o banco estava errado.
Isso inclui casos como:
- dinheiro que desaparece da conta
- créditos concedidos sem autorização
- débitos automáticos não permitidos
- cobranças indevidas
- erros no cartão de crédito
- falhas de segurança
- bloqueios injustificados
Ou seja: não é “mimimi”, não é exagero e não é opinião pessoal. Porém são falhas graves, confirmadas pelo próprio Banco Central.
E para comparar bancos grandes e pequenos de maneira justa, ou seja, o BC usa um índice proporcional ao tamanho da instituição. Quanto maior o índice, pior o banco está no ranking.
O que é o Índice de Basileia (e por que isso importa para você)?
O Índice de Basileia funciona como um “escudo de proteção” dos bancos. Ele mostra o quanto de prejuízo a instituição consegue absorver antes de entrar em risco de insolvência — ou seja, antes de correr o risco de quebrar.
- Acima de 15%: excelente
- Entre 11% e 14%: aceitável
- Abaixo de 11%: alerta
- Índice negativo: perigo máximo
O Banco Central exige no mínimo 11% para a instituição ser considerada minimamente saudável.
Esse índice é essencial quando você vai investir em CDBs, porque não importa se você compra o CDB no Inter, no Bradesco ou no Banco do Brasil — o que importa é o emissor.
Por exemplo:
- CDB Sorocred → Índice de Basileia: 10,5% (já ligando alerta)
- CDB Banco Original → Índice de Basileia: 9,7% (ainda mais crítico)
- UIU Financeira → Índice de Basileia: –5,3% (situação gravíssima)
Ou seja: o risco está no emissor, não na plataforma onde você compra.

Ranking dos 5 piores bancos do Brasil em 2025
A seguir, você confere o ranking mais recente divulgado pelo Banco Central, levando em conta o índice proporcional de reclamações graves — o critério usado para comparar bancos de tamanhos diferentes.
Vamos aos destaques — ou melhor, aos “mal destaques”:
5º lugar – PicPay (Índice: 50,06)
Principais problemas:
- Crédito concedido sem formalização
Mas pessoas recebendo empréstimos sem entender taxas, parcelas ou sequer ter assinado algo. - Bloqueio de portabilidade de crédito consignado
Clientes tentando migrar empréstimos para bancos com juros melhores — e o PicPay dificultando ou bloqueando sem explicação.
4º lugar – Mercado Pago (Índice: 51,58)
Falhas graves:
- Erro nos dados enviados ao Sistema de Informações do Banco Central
- Dívidas que não existiam
- Atrasos falsos
- Scoring arruinado por inconsistências
- Débito não autorizado em conta pré-paga
Sim: dinheiro sumindo sem autorização.
3º lugar – Bradesco (Índice: 51,74)
Quase 6 mil clientes tiveram problemas graves confirmados no período.
Principais falhas:
- Cobrança errada em cartão de crédito
- rotativo indevido
- parcelamentos automáticos
- juros acima do contratado
- valores inconsistentes na fatura
- Informações falsas ou distorcidas sobre juros
Atendentes informando taxas baixas, mas cobrando muito mais.
2º lugar – C6 Bank (Índice: 53,03)
Problemas sérios:
- Falhas de segurança, compras contestadas e não resolvidas
- Ofertas enganosas de crédito consignado
Pois taxas diferentes do informado, informações incompletas, etc.
1º lugar – Banco Inter (Índice: 96,34)
O dobro do segundo pior banco.
O Banco Inter aparece disparado como o pior banco do Brasil no ranking atual do Banco Central.
Principais falhas:
- Erros graves em operações de cartão de crédito
- compras contestadas que não são resolvidas
- cobranças indevidas
- bloqueios sem explicação
- falhas de segurança
- erros no limite e na fatura
- Débito não autorizado em conta
Dinheiro sendo retirado automaticamente sem permissão do cliente.
Caso real: Débito não autorizado no Banco Inter
Aqui vai a história completa (exatamente como descrito no texto fornecido):
- Uma cobrança automática de uma empresa chamada Algar Telecom começou a aparecer todo mês
- A pessoa não tinha cadastro na empresa
- Morava em outro estado
- Nunca ativou débito automático no Inter
- O banco afirmou que ela mesma tinha autorizado o débito
- A Algar Telecom confirmou que não existia nenhum contrato em nome dela
- Após BO e Reclame Aqui, a empresa admitiu erro e prometeu reembolso
Ou seja: o Banco Inter ativou débito automático de algo inexistente, três meses seguidos, afirmando que o cliente tinha permitido.
Contudo isso é exatamente o tipo de falha de segurança que o Banco Central considera gravíssima.
Importante: Estar na lista não significa que todos terão problemas
Mesmo o pior banco do ranking tem mais de 40 milhões de clientes, e apenas quase 4 mil reclamações procedentes no trimestre.
Portanto:
- Estar no topo da lista não significa que todo cliente terá problema
- E estar fora da lista não significa que o banco é perfeito
Além disso, o ranking muda a cada 3 meses.
Mas pela diferença gigante entre o Inter e os demais, é difícil que ele saia do topo tão cedo.
Como se proteger?
Aqui vão as principais recomendações:
✔️ 1. Sempre verifique o Índice de Basileia
Digite no Google:
Índice de Basileia + nome do banco
✔️ 2. Sempre veja quem é o emissor do CDB
Nunca assuma que o CDB é do banco onde você compra.
✔️ 3. Acompanhe o ranking trimestral do Banco Central
Uma mudança no índice pode indicar que o banco está ficando problemático.
✔️ 4. Monitore extratos e faturas
Principalmente débito automático e compras contestadas.
✔️ 5. Em caso de falha real:
- reclame no banco
- na empresa
- no Reclame Aqui
- e por último (e mais importante): no Banco Central
E você? Já passou por algum problema assim?
Entretanto se tudo isso mexe com suas finanças — e com sua cabeça — vale a pena ter em mente que cuidar do dinheiro também é cuidar da saúde mental. Veja como em “Dinheiro e saúde mental: Aprenda a equilibrar suas finanças”
Comenta aí:
Qual foi a pior experiência que você já teve com banco ou instituição financeira?
Este conteúdo é apenas para fins informativos. Assim as informações apresentadas neste artigo não configuram consultoria, recomendação ou conselho financeiro. Pois ao decidir investir, aplicar em CDB, escolher banco ou tomar qualquer decisão financeira, considere seu perfil pessoal, objetivos e a sua tolerância a risco.
O Carteira Valorizada não se responsabiliza por perdas, danos ou prejuízos que possam derivar da utilização das informações aqui expostas. Resultados passados — como índices de Basileia ou rankings de reclamações — não garantem que uma instituição continuará a se comportar da mesma forma no futuro.
Contudo sempre consulte fontes oficiais, verifique os dados atualizados no site do Banco Central do Brasil ou da instituição financeira, e avalie buscar orientação de um profissional qualificado antes de tomar decisões com seu dinheiro.








