As criptomoedas de real Brasil já são uma realidade — e, embora pareçam iguais à primeira vista, elas funcionam de formas bem diferentes.
Os últimos anos, empresas passaram a lançar versões digitais do real dentro do blockchain. Essas moedas, conhecidas como stablecoins em real, estão ganhando espaço rapidamente. No entanto, apesar de todas prometerem o mesmo valor do real, existem diferenças importantes entre elas.
Neste artigo, você vai entender como essas moedas funcionam, por que estão crescendo e quais são os principais pontos de atenção.
O que são criptomoedas de real?
As chamadas stablecoins brasileiras são moedas digitais criadas para manter um valor estável. No caso, cada unidade equivale a R$ 1..
Ou seja, a ideia é simples:
1 moeda digital = 1 real.
No entanto, diferente do dinheiro tradicional, essas moedas circulam em redes blockchain. Isso permite que sejam usadas em pagamentos digitais, negociações e principalmente na tokenização de ativos no Brasil.
Além disso, essas moedas não são emitidas pelo governo — diferente do Real Digital Drex, que será a versão oficial do BC. Elas são criadas por empresas privadas, como fintechs, exchanges e instituições financeiras.
Por que essas moedas estão crescendo?
Nos últimos dois anos, o crescimento das criptomoedas de real Brasil aconteceu de forma acelerada. E isso não foi por acaso.
Esse avanço está diretamente ligado ao aumento da tokenização de ativos no Brasil.
Mas o que isso significa?
Tokenizar um ativo é transformar algo real — como um imóvel, crédito ou dívida — em um ativo digital dentro do blockchain.
No entanto, surge um problema:
se o ativo está no blockchain, o pagamento também precisa estar.
É exatamente aí que entram as stablecoins em real.
Elas funcionam como o “dinheiro digital” usado dentro dessas redes.
Um mercado grande — e dominado pelo dólar
Embora o foco aqui seja o Brasil, vale entender o cenário global.
Hoje, as stablecoins são mais relevantes que até mesmo o Bitcoin em alguns aspectos. No entanto, a maior parte desse mercado é dominada por moedas atreladas ao dólar.
Essas representam cerca de 90% do setor, com mais de US$ 300 bilhões em valor total.
Além disso, o volume movimentado por essas moedas já supera grandes bandeiras de cartão como Visa e Mastercard.
Ou seja, estamos falando de um mercado gigantesco — e o Brasil começa a entrar nessa disputa.
Quais são as criptomoedas de real no Brasil?
Atualmente, pelo menos oito stablecoins brasileiras estão em circulação, oferecendo opções para diversificar sua carteira de criptomoedas conforme suas necessidades. Cada uma tem características próprias.
Veja um resumo simplificado:
- BRZ (Transfero) – lançada em 2018, foco institucional
- BRLA (Avenia) – criada em 2023, com integração a DeFi
- BBRL (Braza Crypto) – voltada a clientes institucionais
- VRL (ResolvePay) – direcionada ao varejo
- BRL1 (consórcio MB, Foxbit, Bitso e Cainvest) – integração entre plataformas
- BRLV (Crown) – foco institucional e automação financeira
- BRLN (Núclea) – infraestrutura para o sistema financeiro
- BRLD (Liqi) – voltada à tokenização de ativos
Além disso, novas iniciativas continuam surgindo, o que mostra que esse mercado ainda está em fase inicial.

Se todas valem R$ 1, qual é a diferença?
Essa é a pergunta mais importante.
Embora todas as criptomoedas de real Brasil mantenham paridade com o real, elas são bem diferentes na prática.
1. Tipo de lastro
O lastro é o que garante o valor da moeda.
Na maioria dos casos, ele não é composto apenas por dinheiro em caixa. Em vez disso, inclui:
- Títulos públicos
- Depósitos
- Ativos financeiros de baixo risco
No entanto, cada empresa usa uma combinação diferente.
2. Transparência
Outro ponto essencial é a transparência.
Algumas empresas:
- Divulgam relatórios frequentes
- Realizam auditorias independentes
Por outro lado, outras ainda não divulgam essas informações de forma clara.
👉 Portanto, duas moedas podem parecer iguais, mas ter níveis bem diferentes de confiabilidade.
3. Público-alvo
Nem todas as moedas são acessíveis ao público geral.
- Algumas são voltadas ao varejo
- Outras focam em empresas e investidores institucionais
Além disso, certas stablecoins só operam dentro de plataformas específicas.
4. Proteção em caso de problemas
Esse é um ponto crítico para proteger seu dinheiro e garantir segurança patrimonial.
Algumas empresas afirmam manter:
- Contas segregadas
- Reservas protegidas legalmente
Enquanto isso, outras ainda não deixam claro como funcionaria a proteção em caso de falência.
Dessa forma, o risco pode variar bastante entre projetos.O papel do dinheiro programável
Um dos maiores avanços dessas moedas está no chamado real digital blockchain.
Isso permite que o dinheiro seja programável.
Na prática, significa que uma transação pode acontecer automaticamente quando certas condições são cumpridas.
Por exemplo:
- Você paga
- E recebe o ativo ao mesmo tempo
Esse modelo é conhecido como delivery versus payment (DVP).
Além disso, ele reduz riscos em negociações, já que elimina a dependência de confiança entre as partes.
Uso internacional: uma nova possibilidade
Outro ponto interessante é o uso dessas moedas fora do Brasil.
Segundo especialistas, um importador estrangeiro poderia manter saldo em real digital para comprar produtos brasileiros.
Isso pode:
- Facilitar o comércio internacional
- Ampliar o uso do real fora do país
Portanto, as stablecoins brasileiras não servem apenas para o mercado interno.
O que define o sucesso dessas moedas?
Ou seja, quanto mais pessoas usam, mais útil a moeda se torna.
Esse é o mesmo fenômeno que aconteceu com:
- Pix
- Aplicativos de mensagem
👉 Sem usuários e liquidez, uma moeda pode até existir — mas não terá utilidade prática.
Por isso, no futuro, é possível que o mercado se concentre em menos opções, porém mais fortes.
Regulação: o próximo grande passo
Atualmente, todas as empresas aguardam regras mais claras.
O Banco Central já iniciou discussões sobre o tema por meio da consulta pública 126/2025.
Entre os pontos em debate estão:
- Lastro em ativos líquidos e seguros
- Garantia de resgate pelo valor equivalente
- Redução de riscos para usuários
Além disso, a expectativa é que a regulação aumente:
- A confiança no setor
- O nível de governança
👉 Na prática, isso pode funcionar como um filtro natural entre projetos mais sólidos e menos estruturados.
O futuro das criptomoedas de real Brasil
O mercado ainda está em construção.
No entanto, já é possível ver uma mudança importante:
essas moedas deixaram de ser apenas um experimento.
Hoje, elas fazem parte de uma disputa por infraestrutura financeira.
Além disso, grandes instituições também estão de olho nesse setor. A própria B3, por exemplo, estuda lançar sua própria moeda digital.
Isso mostra que o tema tende a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.
Conclusão
As criptomoedas de real Brasil estão avançando rápido — mas ainda não seguem um padrão único.
Embora todas prometam o mesmo valor, as diferenças internas são significativas. Por isso, entender como cada uma funciona é essencial.
Além disso, o crescimento desse mercado está diretamente ligado à evolução do real digital blockchain e da tokenização.
Por fim, a regulação deve ser o fator decisivo para consolidar o setor, aumentando a confiança e definindo quais projetos realmente vão sobreviver.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo, não constituindo recomendação financeira, de investimento ou aconselhamento.
FAQ – Perguntas Frequentes – Criptomoedas de real Brasil
São moedas digitais criadas por empresas privadas que mantêm valor equivalente ao real e operam em blockchain.
Não. Apesar da paridade com o real, elas diferem em lastro, transparência, público e nível de proteção.
Não. Elas são emitidas por empresas privadas, não pelo Banco Central.
Principalmente para pagamentos digitais e para operações de tokenização de ativos no Brasil.
Sim. O risco varia conforme o modelo de lastro, transparência e estrutura de proteção de cada emissor.








