Fraudes via Pix crescem com copa e bets; empresas alertam

A Copa do Mundo ainda nem começou, mas já movimenta expectativas bilionárias no Brasil. Entre apostas esportivas, consumo e pagamentos digitais, a previsão é de um forte aumento na circulação de dinheiro durante o torneio.

Somente o varejo estima movimentar cerca de R$ 4,32 bilhões, o que representa uma alta real de 6,5% em relação à Copa de 2022. Ao mesmo tempo em que esse cenário impulsiona negócios, também amplia um desafio cada vez mais relevante: o avanço das fraudes via Pix.

Com o sistema de pagamentos instantâneos consolidado como principal meio de pagamento do país, bancos, fintechs e empresas de diversos setores já se preparam para enfrentar um possível aumento das tentativas de golpes e crimes financeiros durante o evento. O movimento ocorre em meio a mudanças importantes relacionadas à segurança do Pix, tema que vem ganhando atenção de usuários, instituições financeiras e órgãos reguladores.



A combinação que preocupa especialistas

O crescimento do risco está ligado a dois movimentos que ganharam força nos últimos anos. De um lado, a popularização das apostas esportivas online. De outro, a expansão acelerada do Pix, responsável por 54,7% das transações financeiras realizadas no Brasil, segundo dados do Banco Central.

Na prática, isso significa um volume cada vez maior de recursos circulando em um curto espaço de tempo — um ambiente que costuma atrair a atenção de fraudadores.

Dados da consultoria GMattos, especializada em meios de pagamento, mostram que 15,3% de todos os pagamentos realizados por pessoas físicas para empresas via Pix no primeiro semestre de 2025 tiveram como destino plataformas de apostas online.

Já o Banco Central estima que os brasileiros movimentem entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês em bets. O crescimento acelerado desse mercado tem levantado discussões não apenas sobre segurança financeira, mas também sobre o impacto das bets no consumo e nos hábitos financeiros dos brasileiros.



O tamanho do mercado de apostas no Brasil

O país já se consolidou como um dos principais mercados globais de apostas esportivas. Pesquisas recentes indicam que 56% dos brasileiros não descartam fazer apostas durante a Copa do Mundo. Entre jovens de 18 a 24 anos, esse percentual sobe para aproximadamente 70%.

Um dado que chama atenção está entre os consumidores endividados: 79% daqueles que pretendem apostar já possuem algum tipo de dívida.

O crescimento acelerado desse mercado passou a despertar interesse não apenas de reguladores, mas também de autoridades responsáveis pelo combate à lavagem de dinheiro, fraudes e outros crimes financeiros.

Em 2025, a CPI das Bets colocou o setor no centro das discussões ao investigar desde os impactos do vício em apostas até a atuação de influenciadores digitais na promoção dessas plataformas.

Para o advogado tributarista e presidente do Durão, Almeida & Pontes – Advogados Associados, Bruno Medeiros Durão, a Copa será o primeiro grande teste popular do setor após a estruturação regulatória mais recente do mercado brasileiro.

Segundo ele, a regulamentação trouxe mais segurança jurídica para empresas, consumidores e para o próprio Estado. Ainda assim, o ambiente emocional criado pelo torneio tende a elevar significativamente o volume de apostas, exigindo fiscalização eficiente não apenas sob o aspecto arrecadatório, mas também na prevenção à lavagem de dinheiro, na proteção dos consumidores e no combate ao superendividamento.



Por que grandes eventos aumentam o risco de fraudes?

Especialistas em prevenção a fraudes observam um padrão recorrente em grandes eventos esportivos: o aumento repentino das transações costuma vir acompanhado de mais tentativas de golpes.

Isso acontece porque diferentes fatores se combinam ao mesmo tempo:

  • crescimento acelerado da movimentação financeira;
  • maior pressão operacional sobre empresas;
  • aumento do consumo impulsivo;
  • necessidade de processar um grande volume de transações simultaneamente.

Segundo Rafaela Helbing, CEO da Data Rudder, empresa especializada em inteligência antifraude transacional, ou seja, esses períodos costumam abrir oportunidades para ações criminosas.

Entre os golpes mais observados em cenários de alta movimentação financeira estão:

  • comprovantes falsos de Pix;
  • uso de contas laranja;
  • golpes de engenharia social;
  • abertura automatizada de contas;
  • utilização indevida de bônus promocionais;
  • fraudes relacionadas à identidade digital.

Gerente acompanha pagamentos via Pix em um estabelecimento durante a transmissão de um jogo da Copa do Mundo. A cena mostra o aumento das transações digitais e a necessidade de controle financeiro em períodos de grande movimento.



O desafio vai além das plataformas de apostas

Embora as bets estejam no centro das atenções, elas não são as únicas afetadas pelo aumento das transações. Setores como bares, restaurantes, delivery e comércio eletrônico também devem registrar crescimento expressivo durante a Copa.

Pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) aponta que 52% dos estabelecimentos pretendem transmitir os jogos do torneio. Entre aqueles que exibirão as partidas, 80% esperam aumento no faturamento em comparação aos dias sem jogos. Além disso, 59% projetam crescimento de até 20% nas receitas durante o período.

Esse aumento na atividade econômica gera uma consequência direta: mais pagamentos eletrônicos e maior necessidade de validação de operações em tempo real. Afinal no caso das plataformas de apostas, a atenção é ainda maior devido à combinação de alto volume transacional e intensa circulação de recursos em períodos curtos.

De acordo com Rafaela Helbing, os criminosos costumam agir justamente quando empresas e instituições financeiras precisam lidar com picos operacionais. Segundo a especialista, a urgência gerada pela comoção nacional pode dificultar a adaptação dos sistemas de monitoramento ao ritmo acelerado de crescimento das transações.



Promoções e bônus também ampliam os riscos

Outro ponto de atenção envolve as campanhas promocionais associadas à Copa do Mundo. Contudo bônus, cashback e programas de incentivo frequentemente utilizados por plataformas digitais podem se tornar alvos de exploração por fraudadores.

A prática normalmente envolve a criação de múltiplos cadastros automatizados ou o uso de identidades falsas para obtenção indevida dos benefícios oferecidos pelas empresas. Por isso, especialistas alertam que ações promocionais precisam caminhar lado a lado com mecanismos robustos de validação e controle.



Como as empresas podem se proteger

Diante da expectativa de crescimento nas transações, especialistas recomendam que as empresas reforcem suas estratégias de prevenção antes mesmo do início do torneio.

Entre as medidas consideradas prioritárias estão:

  • monitoramento em tempo real das transações;
  • análise comportamental dos usuários;
  • validação reforçada de identidade;
  • conferência automática de pagamentos;
  • revisão das políticas de cadastro;
  • acompanhamento de contas recém-criadas.

A recomendação é não assumir que os padrões observados em períodos normais permanecerão os mesmos durante um evento de grande audiência.

Mudanças repentinas no comportamento dos consumidores podem criar brechas que facilitam a atuação de fraudadores.



Inteligência artificial ganha espaço no combate às fraudes

À medida que os golpes digitais se tornam mais sofisticados, ferramentas baseadas em inteligência artificial e análise comportamental passam a desempenhar um papel cada vez mais importante na prevenção de perdas. Essas soluções conseguem analisar centenas de variáveis em tempo real para identificar movimentações suspeitas antes da conclusão de uma transação.

Segundo especialistas do setor, a evolução das fraudes acompanha a própria evolução dos hábitos de consumo. Quando o volume de operações cresce rapidamente, os criminosos também tendem a agir com mais velocidade.

Nesse contexto, a segurança deixa de ser apenas uma preocupação tecnológica e passa a integrar a estratégia operacional das empresas.



Conclusão

A Copa do Mundo deve representar mais um importante teste para a infraestrutura digital brasileira. O crescimento das apostas esportivas, aliado à popularização do Pix, cria um ambiente de oportunidades para empresas, mas também amplia os desafios relacionados à segurança financeira.

Com bilhões de reais circulando em um curto espaço de tempo, a capacidade de identificar comportamentos suspeitos e reagir rapidamente poderá fazer diferença na proteção de consumidores, negócios e instituições financeiras. Ao que tudo indica, fora dos gramados, a disputa contra as fraudes via Pix também promete ser intensa.

As informações deste conteúdo possuem caráter informativo e educativo. O artigo não constitui recomendação financeira, jurídica ou de investimento. Antes de tomar qualquer decisão, consulte profissionais especializados e fontes oficiais.

Quer acompanhar mais análises sobre segurança financeira, Pix, golpes digitais e tendências que impactam o bolso dos brasileiros? Continue navegando pelo portal e confira nossos conteúdos relacionados.

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Eduardo Santos

É economista e analista de sistemas com ampla experiência no mercado financeiro. Com uma sólida formação acadêmica em economia e expertise em tecnologia, dedica-se a compartilhar conteúdo estratégico e educativo sobre investimentos. Seu objetivo é proporcionar uma abordagem clara e fundamentada para tomar decisões financeiras mais assertivas e confiantes.

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As informações deste blog são apenas para fins educativos e não constituem aconselhamento financeiro. O autor não se responsabiliza por decisões tomadas com base no conteúdo. Recomenda-se consultar um profissional qualificado antes de agir, pois investimentos envolvem riscos e resultados passados não garantem retornos futuros.

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