A privatização da Copasa voltou ao centro das atenções em Minas Gerais — desta vez, por causa de um obstáculo importante no processo. O governo mineiro decidiu rever os termos da operação depois que as propostas apresentadas por investidores de referência ficaram abaixo do valor mínimo esperado.
A informação, apurada pelo Estadão/Broadcast, aumentou a percepção de incerteza em torno da oferta e repercutiu rapidamente no mercado. Na B3, as ações da companhia chegaram a cair cerca de 6% nesta quarta-feira, 27.
O movimento também reacende dúvidas sobre o ritmo das privatizações estaduais em um cenário ainda sensível para grandes operações no mercado brasileiro.

Governo de Minas revisará documentos e cronograma da oferta
Em comunicado divulgado ao mercado, a Copasa confirmou que fará alterações nas condições da oferta pública. A companhia informou que irá republicar o prospecto preliminar, a lâmina da oferta e o aviso ao mercado, além de apresentar um novo cronograma para a operação.
A atualização depende da aprovação do Comitê de Coordenação e Governança de Estatais (CCGE).
Na prática, isso representa mais um adiamento no processo de privatização da Copasa. O cronograma original previa justamente para esta quarta-feira, 27, o anúncio do investidor de referência da operação. Já a precificação da oferta estava prevista para ocorrer em 2 de junho.
Agora, o mercado aguarda uma nova definição.
Privatização pode seguir sem investidor de referência
Segundo pessoas ouvidas pela reportagem, o governo de Minas Gerais também avalia um cenário alternativo: seguir com a operação mesmo sem um investidor de referência definido. Nesse modelo, a privatização aconteceria por meio do processo de bookbuilding junto ao mercado, mecanismo utilizado para medir a demanda dos investidores e definir o preço das ações ofertadas.
A possibilidade chama atenção porque, no formato inicialmente planejado, o investidor de referência teria papel central na operação.
Ele poderia adquirir até 30% da companhia, em uma participação estimada em cerca de R$ 6 bilhões. Considerando ainda a venda das ações remanescentes, a operação poderia movimentar até R$ 10 bilhões — o que colocaria a privatização da Copasa entre as maiores operações do mercado brasileiro em 2026.
Até o momento, o governo mineiro não divulgou qual era o preço mínimo esperado para a oferta.
Quem participava da disputa
Entre os grupos envolvidos no processo estavam nomes relevantes do setor de infraestrutura e saneamento. A Equatorial, por exemplo, participava como potencial investidora de referência. A companhia já havia atuado na privatização da Sabesp, operação acompanhada de perto pelo mercado financeiro.
Outro grupo envolvido era a Itaúsa, por meio da Livorno — veículo de investimento ligado aos atuais acionistas da Aegea.
Hoje, a estrutura societária da Aegea é formada pela Equipav, com 52%, pelo fundo soberano de Singapura GIC, com 35%, e pela própria Itaúsa, que detém 13%. A presença desses grupos reforçava a expectativa de uma disputa relevante pelos ativos da Copasa, especialmente diante do avanço do setor privado no saneamento brasileiro nos últimos anos.
Processo já vinha acumulando atrasos
O novo revés acontece em um processo que já sofreu sucessivos adiamentos desde o início do ano.
Originalmente, a privatização da Copasa estava prevista para o primeiro trimestre de 2026. No entanto, o cronograma foi sendo postergado em meio à deterioração do cenário macroeconômico e à espera pela autorização final do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).
A operação avançou mesmo após a aprovação pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, mas o ambiente de mercado continuou pressionando as decisões do governo estadual. Esse contexto ajuda a explicar por que investidores passaram a adotar uma postura mais cautelosa em operações bilionárias envolvendo estatais.
O que diz a Copasa
No comunicado oficial, a companhia evitou detalhar quais mudanças serão implementadas nas condições da oferta. A Copasa afirmou apenas que as alterações seguem “instruções expressas e formais” do acionista controlador, o Estado de Minas Gerais.
A empresa também destacou que está cumprindo seu papel institucional ao dar transparência ao processo e informou que não fará comentários adicionais neste momento, em razão do período de silêncio regulatório.
Segundo a estatal:
“A companhia reforça que cumpre o seu papel institucional de dar transparência aos ritos processuais determinados pelo acionista vendedor.” Com isso, os próximos passos da privatização da Copasa passam a depender da republicação oficial dos documentos e da definição do novo cronograma pelo governo mineiro.
Enquanto isso, investidores seguem atentos aos desdobramentos da operação — não apenas pelo tamanho potencial do negócio, mas também pelo impacto que ele pode ter sobre futuras privatizações no setor de saneamento.
Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e jornalístico. Não representa recomendação de investimento ou orientação financeira. Antes de tomar decisões, avalie seu perfil e consulte especialistas.
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