O preço do Bitcoin (BTC) voltou a ganhar força e superou os US$ 72 mil nesta quinta-feira (20), alcançando o maior nível desde o início de junho. O movimento prolonga o rali iniciado na véspera, após o Tesouro americano anunciar que pretende ao menos dobrar as recompras de títulos longos.
O avanço chama atenção por um motivo. Mesmo com o mercado de juros devolvendo boa parte do alívio que havia ajudado a impulsionar as criptomoedas na quarta-feira, o Bitcoin continuou subindo.
Cerca de 90 minutos antes da abertura do mercado acionário americano, o rendimento do Treasury de 30 anos avançava cinco pontos-base, para 5,24%. Com isso, devolvia metade da queda registrada no dia anterior. Já o título de 10 anos subia três pontos-base, para 4,68%.
Ainda assim, por volta das 14h45, o Bitcoin era negociado a aproximadamente US$ 72.700, segundo o CoinGecko. A alta chegava a 6% em 24 horas e a 14,7% em sete dias.
A força do movimento também aparecia no restante do mercado. A capitalização total das criptomoedas avançava 6,1%, para US$ 2,55 trilhões, enquanto o Bitcoin respondia por 57,3% desse valor.
Bitcoin rompe resistências após semanas de compressão
O movimento não ficou restrito ao Bitcoin. Algumas das principais criptomoedas registraram ganhos ainda maiores, portanto sinalizando um aumento do apetite por risco entre investidores.
Nas últimas 24 horas, o XRP avançava 22,6% e o Ethereum (ETH) subia 11,7%. O token da corretora Hyperliquid, por sua vez, ganhava 19%, depois de o presidente Donald Trump sinalizar que a CFTC avalia caminhos para permitir a operação da plataforma de derivativos nos Estados Unidos.
No caso do Bitcoin, o rompimento ocorreu depois de semanas de negociação mais contida.
Em análise assinada pelo analista de research Pedro Fontes, mas o Mercado Bitcoin destaca que a criptomoeda superou de uma só vez a resistência de US$ 65 mil, a região de US$ 67 mil e o nível psicológico de US$ 70 mil.
Antes disso, o ativo vinha pressionado entre a média móvel de 200 semanas e o topo da faixa de consolidação.
A dinâmica ajuda a explicar a intensidade da alta. Segundo Fontes, quanto mais tempo o preço permanece preso em uma faixa estreita, maior tende a ser o movimento quando o mercado finalmente escolhe uma direção. O analista compara esse processo ao efeito de uma mola comprimida.
A Glassnode calculou que a variação diária correspondeu a um desvio de 5,8 vezes o padrão da volatilidade de 30 dias do Bitcoin. Foi o maior choque de alta registrado desde outubro de 2023.
Dívida americana também entra no radar
Outro ponto importante para entender o movimento está no mercado de dívida dos Estados Unidos.
O Mercado Bitcoin ressalta que a decisão do Tesouro americano não representa um afrouxamento quantitativo clássico. Afinal, não se trata do Federal Reserve criando moeda para comprar títulos.
Ainda assim, a interpretação predominante do mercado foi de que o custo da dívida americana chegou a um nível que exige alguma forma de suporte de liquidez.
A dívida dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões, enquanto a relação entre dívida e PIB é estimada entre 122% e 124%. Nos últimos dez meses, os EUA desembolsaram cerca de US$ 963 bilhões apenas em juros líquidos, acima dos US$ 763 bilhões destinados à defesa, segundo o analista do Mercado Bitcoin.
“Nesse contexto, Fontes aponta que, se o maior mercado de dívida do mundo precisa de suporte para funcionar com estabilidade, aumenta a procura por ativos escassos, previsíveis e menos ligados à expansão da dívida pública. Entenda também como a escassez do Bitcoin pode influenciar seu preço e a dinâmica de oferta e demanda da criptomoeda.”
O próprio secretário do Tesouro, Scott Bessent, indicou que o programa pode ser ampliado. Segundo ele, o governo dispõe de um grande conjunto de ferramentas e espera que as recompras de títulos longos se tornem rotineiras, podendo superar os US$ 4 bilhões anunciados.
Alta do Bitcoin também favoreceu opções
Quem estava posicionado em determinadas estratégias de opções conseguiu capturar uma valorização expressiva durante o movimento.
Na 10X, a estratégia preferida no mês foi a compra de opções de compra (calls) de Bitcoin com preço de exercício de US$ 70 mil. Esses contratos chegaram a ser negociados por apenas US$ 300 em 5 de agosto.
Três dias antes do movimento mais forte, o preço havia recuado para US$ 30. Depois, alcançou máxima de US$ 1.600. Quando o analista escreveu, os contratos estavam sendo negociados ao redor de US$ 1.300.
Para Markus Thielen, da 10X Research, o principal motor da tese era a expectativa de que a dívida americana ultrapassaria em breve os US$ 40 trilhões. Esse cenário poderia gerar manchetes capazes de impulsionar o ouro e, provavelmente, também o Bitcoin.
No período, o ouro avançou de US$ 4.100 para US$ 4.571, uma alta de 11%.
Apesar do acerto da estratégia, Thielen adotou cautela. Para ele, o momento não é de complacência.

Fluxo para ETFs pode definir os próximos passos
Há, porém, um elemento que diferencia o movimento atual de uma simples disparada provocada pelo fechamento de posições vendidas: a entrada de dinheiro novo no mercado.
Os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos registraram captação líquida de US$ 517,2 milhões no pregão anterior, segundo o Mercado Bitcoin. Foi o maior fluxo diário desde 4 de maio.
Com isso, as entradas acumuladas na semana chegaram a aproximadamente US$ 1 bilhão.
Para que esta seja a melhor semana do ano para esses produtos, no entanto, os fluxos precisam superar US$ 1,42 bilhão, marca registrada em meados de janeiro.
Esse dado ganha importância porque a continuidade da alta pode depender cada vez menos da compra forçada provocada pelas liquidações e cada vez mais da demanda à vista.
Mais de US$ 3,1 bilhões em posições foram liquidados durante o episódio, retirando boa parte da alavancagem vendida que ajudou a impulsionar o movimento.
Além disso, cerca de 44,3 mil BTC foram enviados para corretoras. Esse volume precisará ser absorvido pelo mercado para que a valorização consiga avançar de forma consistente.
O Bitcoin também voltou a negociar acima da média móvel de 200 dias, localizada perto de US$ 69 mil. Ao mesmo tempo, o índice de medo e ganância das criptomoedas alcançou o maior nível desde outubro de 2025, quando o ativo havia marcado o topo do ciclo.
Qual pode ser o próximo nível do preço do Bitcoin?
Pois no campo técnico, operadores observam diferentes regiões para avaliar se o rompimento terá continuidade.
A primeira zona de suporte fica ao redor de US$ 67 mil, próxima ao meio do candle de rompimento. Entretanto mais abaixo, a região entre US$ 65 mil e US$ 66 mil aparece como uma área de compra mais profunda e próxima do topo da antiga faixa de consolidação.
Do lado da alta, um fechamento sustentado acima de US$ 72,5 mil poderia abrir espaço para uma tentativa de avanço até US$ 74 mil.
Mais acima, porém, existe uma região de oferta considerada relevante entre US$ 78 mil e US$ 80 mil. É justamente uma faixa em que o mercado estava operando antes da liquidação ocorrida em junho.
Afinal Thielen também aponta uma possível trava para a valorização entre US$ 70 mil e US$ 80 mil, relacionada ao vencimento de opções em setembro.
Por isso, embora o preço do Bitcoin tenha recuperado níveis importantes e o fluxo para ETFs tenha melhorado, os próximos movimentos ainda dependem da capacidade do mercado de absorver a oferta e sustentar a demanda.
O avanço de 14,7% em sete dias mostra uma mudança significativa de dinâmica. Resta acompanhar se o rompimento representa o início de uma nova etapa de valorização ou apenas uma reação mais intensa após semanas de compressão.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento, oferta, solicitação ou indicação de compra ou venda de Bitcoin, criptomoedas ou qualquer outro ativo financeiro. O mercado de criptoativos envolve riscos, inclusive de perda de capital.
Continue acompanhando as movimentações do mercado de criptomoedas e os principais fatores que podem influenciar o preço do Bitcoin.








