As ações da WEG registram forte valorização na B3 após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. Mesmo com uma leve queda no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano passado. O mercado reagiu de forma positiva ao desempenho da companhia.
Entre os fatores que chamaram a atenção dos investidores estão a manutenção das margens, pois o crescimento das operações internacionais, a forte geração de caixa e a continuidade dos investimentos em expansão.
Entretanto no fim do dia, os papéis da fabricante de motores elétricos, transformadores, geradores e tintas subiam 8,99%, negociados a R$ 46,45, liderando os ganhos entre as ações mais negociadas da Bolsa.
Lucro da WEG recua, mas rentabilidade continua sólida
A WEG encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,56 bilhão, resultado 2,1% inferior aos R$ 1,59 bilhão registrados no mesmo período de 2025.
Apesar da redução, a companhia conseguiu preservar sua eficiência operacional. Contudo a margem líquida permaneceu em 15,4%, reforçando a capacidade da empresa de manter a rentabilidade mesmo em um cenário mais desafiador.
Esse foi um dos pontos que mais chamou a atenção dos analistas e ajudou a explicar a reação positiva do mercado.

Receita internacional segue crescendo
As operações fora do Brasil continuaram sendo um dos principais motores dos resultados da companhia.
Em dólar, a receita proveniente do mercado externo cresceu 14,7% no segundo trimestre. Entretanto, a valorização do real reduziu parte desse avanço quando os valores foram convertidos para a moeda brasileira.
Segundo a WEG, a cotação média utilizada na conversão das vendas passou de R$ 5,67 no segundo trimestre de 2025 para R$ 5,05 no mesmo período deste ano, uma queda de 10,9%.
Desconsiderando o efeito cambial e analisando as vendas em moedas locais, ponderadas pelo peso de cada mercado, a receita internacional avançou 11,8% na comparação anual.
Citi vê disciplina operacional e destaca expansão global
Na avaliação do Citi, a WEG mostrou capacidade de enfrentar um ambiente menos favorável para o crescimento da receita sem comprometer sua rentabilidade.
Os analistas Andre Mazini, Kiepher Kennedy e Piero Trotta destacaram que a empresa conseguiu preservar margens resilientes, aumentar o retorno sobre o capital investido (ROIC) e seguir avançando em sua estratégia de expansão internacional.
“Mesmo diante da pressão dos custos de matérias-primas e das tarifas de importação dos Estados Unidos, a empresa entregou rentabilidade acima das expectativas.”
Outro indicador destacado foi o retorno sobre o capital investido (ROIC), que alcançou 33,6% nos últimos 12 meses, avanço de 0,7 ponto percentual em relação ao ano anterior. Se você ainda tem dúvidas sobre esse indicador, veja como calcular ROIC e NOPAT na prática e entenda por que essa métrica é tão utilizada na análise fundamentalista.
Empresa mantém ritmo forte de investimentos
A WEG também seguiu investindo na expansão de sua capacidade produtiva. Ao todo, foram destinados R$ 794,9 milhões para projetos de modernização e crescimento durante o trimestre.
A WEG destinou mais da metade desse valor, equivalente a 55,5%, para unidades no exterior, incluindo projetos no México, Colômbia, Estados Unidos e China.
Os investimentos reforçam a estratégia da companhia de ampliar sua presença internacional e fortalecer sua estrutura industrial.
BB Investimentos mantém recomendação neutra
Para o analista Luan Calimério, do BB Investimentos, a diversificação dos negócios. A presença em diferentes mercados, o mix de produtos e a boa gestão do capital de giro contribuíram para uma forte geração de caixa no trimestre.
Segundo o relatório, a companhia conseguiu manter os investimentos em expansão mesmo diante do impacto negativo da variação cambial.
“Reiteramos recomendação neutra para WEG e preço-alvo de R$ 44,00 para o final de 2026 até incorporarmos o resultado do 2T26 em nosso modelo.”
Santander avalia resultado acima das expectativas
O Santander também classificou o desempenho da companhia como melhor do que o esperado.
De acordo com os analistas Lucas Barbosa, Gabriel Tinem e Victor Tani, a principal surpresa positiva foi a recuperação da margem Ebitda, que voltou para níveis próximos aos observados em 2024 e 2025 e superou os cerca de 20% registrados no primeiro trimestre.
Embora a receita líquida tenha sido pressionada pela valorização do real e pela menor entrega de projetos de energia renovável. O banco destacou que a demanda permaneceu saudável. As operações internacionais cresceram em ritmo de dois dígitos em dólar e a posição de caixa da empresa ficou ainda mais forte.
“Mesmo diante de custos maiores de insumos, tarifas dos Estados Unidos e despesas ligadas à expansão de capacidade, a WEG conseguiu sustentar margens resilientes graças a um mix de produtos mais favorável, ganhos de produtividade e à forte contribuição de negócios de maior margem, o que deve levar a uma reação positiva do mercado.”
Por que as ações da WEG subiram?
A forte alta das ações da WEG reflete a percepção de que a empresa continua apresentando fundamentos sólidos, mesmo em um cenário operacional mais desafiador.
Apesar da leve queda no lucro líquido, a companhia preservou margens saudáveis, ampliou o retorno sobre o capital investido, manteve o crescimento das operações internacionais e seguiu investindo na expansão dos negócios.
Na avaliação de analistas, esse conjunto de fatores reforça a capacidade da empresa de manter resultados consistentes no longo prazo, justificando a reação positiva observada no pregão.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não representa recomendação de compra ou venda de ativos. Antes de investir, avalie seu perfil e, se necessário, consulte um profissional habilitado.
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