Carteira de Identidade Nacional pode reforçar combate a fraudes bancárias

A Carteira de Identidade Nacional (CIN) pode ganhar um papel importante no combate às fraudes bancárias no Brasil. A avaliação foi apresentada pela ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, durante a Febraban Tech 2026, na terça-feira (25).

Segundo a ministra, o governo federal trabalha na criação de uma infraestrutura nacional de dados baseada na nova CIN, em bases biométricas de diferentes órgãos públicos, no gov.br e em outras estruturas governamentais. A ideia é que essa base possa, no futuro, ser utilizada também pelo setor privado.

Além de facilitar a prestação de serviços, a iniciativa tem entre seus principais objetivos reduzir fraudes no setor financeiro, justamente em um momento de avanço dos golpes digitais.



Governo estuda uso da base de identidade pelos bancos

O governo federal mantém uma cooperação técnica com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para avaliar como a infraestrutura nacional de identificação poderia ser utilizada pelas instituições financeiras.

A identificação, segundo Esther Dweck, está no centro das discussões entre o governo e o setor bancário. A proposta é estudar maneiras de permitir que a base nacional ajude empresas privadas a verificar a identidade dos usuários e, consequentemente, reduzir oportunidades para fraudes.

“A identificação tem sido nossa grande discussão com a Febraban”, afirmou Esther. “Existe uma cooperação técnica com a federação para estudar a possibilidade de que essa grande base de identificação, que vai evitar fraudes no Brasil, possa ser utilizada pelo setor privado”, disse a ministra.

A discussão ocorre em um cenário de crescimento das fraudes digitais, especialmente no sistema bancário. O avanço dessas ocorrências coloca a segurança digital no centro das preocupações das instituições financeiras e amplia os desafios enfrentados pelo sistema financeiro.



Fraudes digitais aumentam a pressão sobre o sistema financeiro

Os números apresentados durante o evento ajudam a dimensionar o desafio. O Brasil registrou 22 milhões de tentativas de fraude em 2024 e 2025, o equivalente a uma ocorrência a cada quatro segundos. Esse cenário acompanha o avanço das ameaças digitais, incluindo o crescimento das tentativas de fraude de identidade digital.

Com a digitalização do relacionamento entre clientes e bancos, esse desafio ganha ainda mais importância, já que as transações pelo celular já representam 78% das operações bancárias no Brasil.

Por isso, o avanço de uma estrutura capaz de integrar diferentes fontes de identificação pode representar uma frente adicional de proteção para serviços financeiros.

Profissional analisa sistemas digitais de autenticação ao lado de uma Carteira de Identidade Nacional e um smartphone. A cena representa a integração de identidade, biometria e segurança bancária.



Como a Carteira de Identidade Nacional entra nessa estratégia

A consolidação da Carteira de Identidade Nacional é um dos pilares da estratégia do governo. O documento substitui o modelo anterior, no qual um mesmo cidadão poderia ter diferentes registros estaduais de RG.

A nova carteira já soma 62 milhões de emissões, o equivalente a 30% da população.

Com a CIN, o CPF passa a ser o número único de identificação. Além disso, há integração entre os estados, coordenada pelo governo federal, com o objetivo de impedir que uma mesma pessoa tenha identidades diferentes.

“Hoje o número único é o CPF, e temos integração entre os estados, coordenada pelo governo federal, garantindo que uma mesma pessoa não possa ter identidades diferentes”, afirmou Esther.

Esse processo de padronização é relevante porque amplia a capacidade de cruzamento e validação das informações de identidade.



Gov.br também faz parte da infraestrutura

Outro componente da estratégia é o gov.br. A plataforma reúne 178 milhões de contas, das quais 100 milhões estão na categoria ouro, considerada a mais segura.

Pois até agosto deste ano, o sistema acumulava 4 bilhões de acessos.

Na prática, a integração entre diferentes estruturas públicas amplia a quantidade de informações disponíveis para identificar os cidadãos. Porém é justamente essa combinação que o governo pretende aproveitar na construção de uma infraestrutura nacional.



Bases biométricas podem ampliar a confiabilidade

A integração das principais bases biométricas do país também está entre as prioridades da pasta. A expectativa é que o cruzamento dessas informações ajude a evitar duplicidades e aumente a confiabilidade dos sistemas de identificação.

A infraestrutura de identificação civil deverá reunir dados de diferentes órgãos públicos.

A Polícia Federal possui uma base de 48 milhões de registros biométricos. Já a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) conta com 85 milhões. Por sua vez, a Identificação Civil Nacional do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reúne 140 milhões de registros.

A integração dessas bases é parte da estratégia para fortalecer a identificação dos cidadãos e, mas segundo o governo, criar condições para ampliar o combate às fraudes.



O que a CIN pode mudar nas fraudes bancárias

A possibilidade de utilização dessa infraestrutura pelo setor privado ainda está em estudo por meio da cooperação técnica entre o governo e a Febraban. Portanto, a proposta não significa que os bancos já estejam utilizando essa base nacional de identificação.

O ponto central é a tentativa de criar uma estrutura mais integrada de identificação, reunindo a CIN, dados biométricos e outras bases públicas. Em um ambiente de crescimento das fraudes digitais, contudo essa integração pode se tornar uma ferramenta adicional para aumentar a segurança das operações financeiras.

Para o consumidor, acompanhar a evolução da Carteira de Identidade Nacional e das iniciativas de integração de dados também ajuda a entender como os mecanismos de identificação podem mudar nos próximos anos.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação financeira, de investimento ou de qualquer outra natureza. Os dados e informações apresentados refletem o conteúdo original utilizado como fonte.

Quer entender melhor como as novas tecnologias estão mudando a segurança dos serviços financeiros? Acompanhe outros conteúdos sobre segurança digital, bancos e novas soluções de identificação.

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Eduardo Santos

É economista e analista de sistemas com ampla experiência no mercado financeiro. Com uma sólida formação acadêmica em economia e expertise em tecnologia, dedica-se a compartilhar conteúdo estratégico e educativo sobre investimentos. Seu objetivo é proporcionar uma abordagem clara e fundamentada para tomar decisões financeiras mais assertivas e confiantes.

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