Como investir em ETFs: 4 opções para diversificar a carteira

Os ETFs ganharam espaço entre os investidores brasileiros — e não é difícil entender o motivo. Em apenas dois anos, o patrimônio aplicado nesses fundos quase triplicou.

A praticidade é um dos principais atrativos. Com um único ETF, o investidor consegue distribuir o dinheiro entre dezenas ou até centenas de ativos, geralmente com custos mais baixos do que os encontrados em fundos tradicionais.

Para Andrés Kikuchi, diretor de investimentos da Nu Asset, cerca de quatro ETFs já podem ser suficientes para formar uma carteira bastante diversificada e de baixo custo.

A ideia é simples: combinar diferentes classes de ativos e ajustar o peso de cada uma conforme o perfil e os objetivos do investidor. Nesse caso, a carteira pode reunir ETFs de títulos públicos, ações brasileiras e investimentos internacionais.

Mas, afinal, como investir em ETFs de maneira simples? Uma possibilidade é pensar nesses produtos como blocos de construção de uma carteira. Cada ETF cumpre uma função diferente, e a combinação entre eles pode ajudar a equilibrar risco e diversificação.



ETF de títulos pós-fixados

Para quem busca começar pela parcela mais conservadora da carteira, os ETFs de renda fixa pós-fixada podem ser uma alternativa.

Eles disputam espaço com produtos conhecidos, como o Tesouro Selic e os fundos DI. Entre as opções citadas estão o CDIB11, da Itaú Asset; o LFTB11, da Investo; e o POSB11, da Galapagos Capital.

Um dos diferenciais em relação aos fundos DI é a ausência do come-cotas, mecanismo que antecipa a cobrança do Imposto de Renda e reduz o efeito dos juros compostos ao longo do tempo.

Em comparação com o Tesouro Selic, há ainda uma diferença na tributação. No Tesouro, a alíquota do IR sobre o rendimento chega a 15% somente depois de dois anos. Em um ETF desse tipo, a alíquota já é de 15% desde o início.

A ausência de IOF também pesa nessa comparação. No Tesouro, o imposto começa em 96% do rendimento no primeiro dia e cai gradualmente até chegar a zero no 30º dia. Assim, em determinadas situações, o investidor pode retirar o dinheiro de um ETF desse tipo depois de alguns dias sem o desconto do IOF sobre o rendimento.

Há, porém, um detalhe importante.

ETFs compostos exclusivamente por LFTs, as Letras Financeiras do Tesouro que correspondem aos títulos Tesouro Selic, são tributados em 25%. Nesse caso, a vantagem tributária proporcionada pela ausência de come-cotas e de IOF acaba sendo reduzida.

Por isso, antes de investir, é importante verificar a composição e a tributação específica de cada ETF de renda fixa pós-fixada.

Os produtos citados neste artigo não são compostos apenas por LFTs. Eles mantêm até 10% da carteira em títulos públicos atrelados à inflação (IPCA+), o que permite a tributação de 15%.

“Por isso eles têm um pouquinho mais de risco, mas que acaba compensado pela eficiência tributária”, afirma João Arthur Almeida, diretor de investimentos da Suno Research. Segundo ele, esses ETFs podem ser alternativas para caixa ou reserva de emergência.



ETF de títulos IPCA+: outra peça da carteira

A renda fixa não se resume aos investimentos pós-fixados. Existe também uma parcela que pode se beneficiar de um cenário de queda dos juros.

É aí que entram os títulos atrelados à inflação, conhecidos como IPCA+. Eles remuneram o investidor pela variação do IPCA mais uma taxa adicional.

Uma das alternativas para acessar essa classe por meio de ETFs é o IMAB11, da Itaú Asset, que acompanha uma cesta ampla de títulos públicos indexados à inflação.

Mas existe uma diferença importante entre comprar diretamente um título IPCA+ e investir em um ETF que reúne esses papéis.

Ao investir diretamente em um título de inflação e mantê-lo até o vencimento, o investidor conta com a remuneração contratada, de IPCA mais uma taxa. Já em um ETF não existe a possibilidade de simplesmente “segurar até o vencimento” como estratégia para eliminar a oscilação do preço.

O saldo da aplicação varia de acordo com o preço de mercado dos títulos que compõem o fundo. Por isso, quando as perspectivas apontam para juros mais altos, os preços desses títulos podem cair. Quando ocorre o movimento contrário, eles podem subir.

Na prática, portanto, essa parcela da carteira pode apresentar oscilações.

Ainda assim, esse comportamento tem uma função importante na diversificação. Enquanto os investimentos pós-fixados tendem a se beneficiar diretamente de uma Selic mais alta, os títulos de inflação podem reagir de maneira diferente às mudanças nas expectativas de juros.


E os ETFs de prazo fixo?

Nesse universo, também existem os chamados ETFs de prazo fixo. São produtos relativamente mais complexos, mas a lógica básica é importante para entender como eles podem se encaixar em uma carteira.

A Nu Asset, por exemplo, possui três ETFs desse tipo: NB0211, NB0511 e NB1011.

O número antes do “11” indica o prazo médio de vencimento dos títulos que estão dentro do ETF.

Quanto mais curto o prazo, menor tende a ser a oscilação. Isso significa que o saldo não costuma apresentar grandes altas, mas também tende a sofrer menos em momentos adversos.

Nos ETFs de prazo mais longo, o comportamento é oposto: há maior potencial de oscilação. Para quem busca uma alternativa mais defensiva dentro dessa categoria, os prazos mais curtos podem fazer mais sentido.



ETF de ações brasileiras

Depois de montar a parte de renda fixa, o investidor pode olhar para a renda variável.

Um dos ETFs mais conhecidos nessa categoria é o BOVA11, da BlackRock. Ele acompanha o Ibovespa, permitindo que o dinheiro seja distribuído entre as empresas que compõem o principal índice das ações mais negociadas da bolsa brasileira.

Outra alternativa é o NBOV11, da Nu Asset. O ETF combina ações do Ibovespa com BDRs de empresas listadas no exterior, mas que possuem exposição à economia brasileira, como Meli, Nubank e XP.

Há ainda uma estratégia voltada às empresas consideradas grandes pagadoras de dividendos.

A lógica não está apenas no recebimento dos proventos. Essas companhias são, em geral, empresas mais maduras e, em tese, apresentam menor risco de enfrentar problemas como uma recuperação judicial.

Entre os ETFs dessa categoria estão o NSDV11, da Nu Asset, e o DIVO11, da Itaú Asset.

Também existem produtos que depositam os dividendos na conta do investidor, em vez de reinvesti-los, como o NDIV11 — uma característica que merece atenção de quem pesquisa ETFs que pagam dividendos

Essa diferença merece atenção para quem está construindo patrimônio no longo prazo. Ao receber os dividendos e não reinvesti-los, o investidor deixa de aproveitar o efeito dos juros compostos sobre esses valores.

Por isso, para quem busca acumulação de patrimônio, os ETFs que reinvestem os dividendos podem ser mais eficientes dentro dessa estratégia.



ETF de ações internacionais

A diversificação pode ir além da bolsa brasileira.

Os ETFs IVVB11 e SPXI11, por exemplo, dão acesso ao S&P 500. Dessa forma, o investidor consegue ter exposição, em dólar, às 500 maiores empresas da bolsa americana.

Já o WRLD11 amplia ainda mais essa diversificação. O ETF reúne exposição a cerca de 10 mil empresas de praticamente todas as bolsas relevantes do mundo, enquanto outras alternativas permitem ao investidor buscar exposição a segmentos específicos, como a tecnologia espacial por meio de investimentos ligados à SpaceX e seus BDRs na B3

É uma diferença importante: enquanto um ETF focado no S&P 500 concentra a exposição nas grandes empresas americanas, um ETF global distribui o investimento por diferentes mercados.

Investidor organiza uma carteira de ETFs no computador, comparando diferentes classes de ativos, como renda fixa e ações brasileiras e internacionais.



Como investir em ETFs com uma carteira simples?

A partir desses quatro grupos, é possível montar uma estrutura relativamente simples, embora o universo dos ETFs também permita acessar outras classes de ativos e estratégias, como ETFs de Ethereum com possibilidade de geração de renda mensal.

Um ETF pode representar a exposição à Selic. Outro pode trazer títulos atrelados à inflação, que possuem comportamento diferente diante das mudanças nos juros. Um terceiro pode concentrar a parcela de ações brasileiras. Por fim, um ETF internacional adiciona exposição a empresas estrangeiras e moedas fortes.

O peso de cada bloco, naturalmente, depende do perfil do investidor.

Para ilustrar como essa combinação poderia ter funcionado, o InvestNews simulou uma carteira conservadora composta por 80% em CDIB11, 15% em IMAB11, 2,5% em BOVA11 e 2,5% em NSDV11.

Até agora, essa carteira teria acumulado retorno de 13,4% em 2026.

No mesmo período, os fundos brasileiros apresentaram retorno médio de 8,6% na categoria de renda fixa simples, 6,2% entre os multimercados — que combinam renda fixa e ações — e 1,3% nos fundos de ações, segundo a Anbima.

Nesse recorte, portanto, a carteira simulada de ETFs teria apresentado uma diferença de 4,8 a 12,1 pontos percentuais em relação a essas categorias de fundos.

É importante, porém, não interpretar essa diferença como uma comparação direta de desempenho.

As categorias possuem composições, estratégias e níveis de risco diferentes. A simulação serve principalmente para ilustrar o que uma carteira simples e conservadora poderia ter apresentado em retorno, além da praticidade proporcionada pela estrutura dos ETFs.



Dá para começar com pouco dinheiro?

Outro ponto que ajuda a explicar a popularização dos ETFs é o valor das cotas.

Os produtos citados no exemplo custam aproximadamente entre R$ 50 e R$ 180 por cota. Assim, seria possível começar a montar uma carteira com os quatro produtos com menos de R$ 500.

Mais do que escolher vários fundos, a proposta é entender o papel que cada ETF exerce dentro da carteira. A partir daí, fica mais fácil avaliar quais classes de ativos fazem sentido para cada objetivo e, principalmente, qual combinação é compatível com o nível de risco que o investidor está disposto a assumir.

Para quem pesquisa como investir em ETFs, esse pode ser um ponto de partida: entender primeiro a função de cada produto e só depois definir quanto colocar em cada um.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Antes de investir, avalie seus objetivos, perfil de risco e as características, custos e tributação de cada produto.

Continue acompanhando conteúdos sobre ETFs, renda fixa, ações e diversificação para entender melhor as alternativas disponíveis no mercado.

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Eduardo Santos

É economista e analista de sistemas com ampla experiência no mercado financeiro. Com uma sólida formação acadêmica em economia e expertise em tecnologia, dedica-se a compartilhar conteúdo estratégico e educativo sobre investimentos. Seu objetivo é proporcionar uma abordagem clara e fundamentada para tomar decisões financeiras mais assertivas e confiantes.

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